domingo, 21 de março de 2010

O controle da opinião pública

"O regime de 1937 não se dirigiu apenas aos trabalhadores na construção de sua imagem. Tratou de formar uma ampla opinião pública a seu favor, pela censura aos meios de comunicação e pela elaboração de sua própria versão da fase histórica que o país vivia. (...) Em 1939, o Estado Novo constituiu um verdadeiro ministério da propaganda (o famoso DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda), diretamente subordinado ao presidente da República, que escolhia seus principais dirigentes.
O DIP exerceu funções bastante extensas, incluindo cinema, rádio, teatro, imprensa, 'literatura social e política', proibiu a entrada no país de 'publicações nocivas aos interesses brasileiros'; agiu junto à imprensa estrangeira no sentido de se evitar que fossem divulgadas 'informações nocivas ao crédito e à cultura do país'; dirigiu a transmissão diária do programa radiofônico 'Hora do Brasil', que iria atravessar os anos como instrumento de propaganda e de divulgação das obras do governo.
O Estado Novo perseguiu, prendeu, torturou, forçou ao exílio intelectuais e políticos, sobretudo de esquerda e alguns liberais. Mas não adotou uma atitude de perseguições indiscriminadas. Seus dirigentes perceberam a importância de atrair setores letrados a seu serviço: católicos, integralistas, autoritários, esquerdistas disfarçados ocuparam cargos e aceitaram as vantagens que o regime oferecia."
(Boris Fausto)
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Nota
Entre os escritores que trabalharam no DIP ou colaboraram com o governo Vargas, podemos citar Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia, José Lins do Rego, Plínio Salgado e Vinícius de Moraes (como censor de cinema). O próprio Getúlio, em 1940, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras.
Fonte: José de Nicola.

Emprego das ASPAS

1. Para indicar o início e o fim de uma citação:

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo.
Há tempo para nascer e tempo para morrer".
Rubem Alves.

Atenção: Para destacar uma palavra, expressão, frase ou citação dentro de um texto ou citação que já está entre aspas, usam-se as aspas simples (' '): O regulamento é bem claro: "Caso não deseje almoço, o hóspede deve marcar a opção 'sem refeição' no formulário de entrada".


2. Para destacar uma palavra (ou expressão):

O verbo "ficar" vem adquirindo novos significados.


3. Para dar outra conotação a determinada palavra (ou expressão):

Os "anjinhos" já estão prontoss O ônibus escolar chegou.

4. Para marcar o diálogo, em substituição ao travessão:

"Aquela moça da rua Largas", perguntou Marialva.
"Aquela."
Rubem Fonseca.

Fonte: Leila Lauar Sarmento.

Folhetim: o pai da telenovela

Para garantir que o leitor comprasse o jornal no dia seguinte e lesse mais um capítulo do romance, os autores de folhetim valiam-se de certas técnicas, como cortar a narrativa no momento culminante de uma cena ou sequência de cenas. Essa técnica - a mais explorada - pode ser observada até hoje nas telenovelas, herdeiras diretas do romance folhetinesco. Outros ingredientes comuns aos dois tipos de narrativa são o triângulo amoroso, a vitória do bem contra o mal e o final feliz.

Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.

sábado, 20 de março de 2010

Grande sertão: veredas

Esta é para pensar

A primeira palavra de Grande sertão é nonada (ninharia, insignificância) e a última é travessia. Depois dessa palavra, o autor desenha o símbolo matemático do infinito [imagem abaixo]. Entre o nada e o infinito, está a travessia do sertão. Tire suas conclusões.





Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.

Crase / Casos facultativos

1. Diante de pronomes possessivos femininos no singular:

O menino andava à (a) minha volta sorrindo.
O crítico referia-se à (a) nossa última peça teatral.


2. Diante de substantivos próprios femininos, se houver familiaridade normalmente ocorre a crase; caso contrário, não:

Emprestei à Beth, minha amiga, estes CD's.
O professor fez alusão a Cecília Meireles.


3. Após a locução prepositiva até a:

Correu até à (a) porta da frente e abriu-a.
O cliente dirigiu-se até à (a) sala do médico.
Fonte: Leila Lauar Sarmento.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A Epifania na Arte

O termo epifania tem sentido religioso, significando "revelação".


Você já viveu alguma situação em que, ouvindo uma música ou assistindo a um filme ou a uma peça de teatro, tenha se sentido outros Isto é, tenha se sentido mais leve, mais humano ou solidários Isso ocore com certa frequência, pois a arte sempre teve uma função epifânica. O russo Chklovski já dizia que a arte provoca no ser humano um estranhamento em face da realidade. É como se nós nos "desautomatizássemos" e passássemos a ver as coisas com outros olhos.


Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.

domingo, 14 de março de 2010

Os Lusíadas

Eis um fragmento do parecer do censor do Santo Ofício, na edição de 1572:

Vi por mandado da santa & geral inquisição estes dez Cantos dos Lusiadas de Luis de Camões [...] e não achey nelles cousa algua escandalosa nem contrária â fe & bõs costumes, somente me pareceo que era necessario aduertir os Lectores que o Autor para encarecer a difficuldade da navegação & entrada dos Portugueses na India, usa de hua fição dos Deoses dos Gentios.



Triângulo amoroso

Machado e Alencar em triângulo amorosos

O escritor Carlos Heitor Cony defende uma tese escandalosa a respeito do debatido adultério de Capitu. "Segundo Cony, a traição do livro é baseada num episódio da vida do próprio Machado. Sua tese é de que o autor de Dom Casmurro cobiçou a mulher de um próximo [...] e com ela gerou um filho, que Cony identificou com as iniciais M. de A. 'Eles tinham a mesma testa, o mesmo cabelo crespo e alguns tiques iguais', escreveu Cony, acrescentando que M. de A. sofria de epilepsia, como Machado." (Veja, 11/8/1999.)

Cony toma como base uma crônica de Humberto Campos. A dúvida agora é saber quem era o escritor M. de A. As iniciais podem levar tanto a Magalhães de Azevedo quanto a Mário de Alencar, filho do romancista José de Alencar. A última hipótese é a mais provável, pois, segundo Humberto Campos, o marido traído tinha as iniciais J. de A. Comprovada essa hipótese, os dois maiores escritores brasileiros do século XIX teriam participado de um triângulo amoroso.



Fonte:William Cereja e Thereza Cochar

Concordância nominal

Os adjetivos mesmo, próprio, anexo, incluso, leso, quite e obrigado concordam com o substantivo ou pronome ao qual se referem em gênero e número:

Os meninos mesmos fizeram as apostas.

Elas próprias costuravam suas roupas.

As explicações estão nas páginas anexas.

São estes os documentos inclusos no processo.

Foi acusado de atos de leso-patriotismo.

Acusaram-no de crime de lesa-pátria.

Estes sócios estão quites com o clube.

- Obrigado! - agradeceu o jovem.

- Muito obrigada! - disse a jovem ao professor.


Atenção:
  • Quando antecedida da preposição em, a palavra anexo fica invariável, pois passa a ser advérbio:
Colocamos os recibos em anexo ao contrato.
  • A palavra mesmo é advérbio quando empregada com o sentido de realmente, de fato; nesse caso não varia:
A recepcionista resolveu mesmo nosso problema.
Os jogadores ficaram na concentração mesmo.

Fonte: Leila Lauar Sarmento.

Defeitos de argumentação

Emprego de noções de totalidade indeterminada

Há afirmações que constituem verdadeiras afrontas a uma reflexão analítica mais cuidadosa:

Todos os políticos são iguais: só querem o poder para encher os próprios bolsos.

O comunismo e o capitalismo, no fundo, são a mesma coisa.

Os países latino-americanos são diferentes em tudo: nos hábitos, nos costumes, na concepção de vida, nos valores, etc.

O uso dessas noções totalizadoras compromete a força argumentativa do texto, pois dá margem a contra-argumentações imediatas. Basta contrapor, por exemplo, que nem todos os países latino-americanos são diferentes ou que não são diferentes em tudo: a Venezuela e a Colômbia, por exemplo, são países que falam o castelhano e ambos receberam a colonização espanhola.

Fonte: Platão & Fiorin.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dar à luz alguém

Dar à luz alguém


Com o sentido de parir, a expressão correta é dar à luz alguém, e não dar a luz a alguém.

A jovem deu à luz trigêmeos.

Fonte: Leila Lauar Sarmento.

Pablo Picasso

O que é Guernicas

Guernica é uma antiga aldeia da região basca da Espanha, país de origem de Picasso.
Em 1937, a Espanha vivia os efeitos da Guerra Civil, resultado do conflito travado entre duas facções políticas: de um lado, os republicanos; de outro, as forças extremistas de direita lideradas pelo general Franco, apoiado pelo nazismo alemão e pelo fascismo italiano.

Em abril de 1937, com a finalidade única de mostrar força, Franco ordenou que aviões alemães bombardeassem a indefesa cidade de Guernica. Da população de 7 mil habitantes, 1.654 foram mortos e 889 ficaram feridos.
Picasso, indignado com o fato, pintou o quadro Guernica em poucas semanas, denunciando e procurando despertar a opinião pública para a tragédia. Por ordem do pintor, a obra permaneceu em Paris até o fim da ditadura franquista, em 1975. Hoje se encontra em Madrid.



Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.

Vieira: odiado por todos

No romance histórico Boca do Inferno, de Ana Miranda, no qual Pe. Antônio Vieira é personagem, a narradora faz referência às inimizades do escritor:

As ideias que Vieira pregava perturbavam o conforto do pensamento. O fanatismo religioso destruia filósofos, como Giordano Bruno; arcebispos, como o de Spalato; cientistas, como Marco Antonio Dominis.

Até mesmo o rei Carlos I da Inglaterra foi levado ao cadafalso pela intolerância religiosa. Mas Antônio Vieira não se atemorizava com tamanho poder e enfrentava a Inquisição a ponto de Cristóvão Soares dizer que ele não morreria na Companhia de Jesus. Mais certo é que acabasse nas mãos do Santo Ofício. Vieira era, então, o homem mais odiado de Portugal. E quanto mais era odiado pela Inquisição, mais a desafiava.


Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.

domingo, 7 de março de 2010

A tradição da malandragem

O escritor e crítico Mário de Andrade, em ensaio sobre Memórias de um sargento de milícias, aproximou o protagonista, Leonardinho, da figura do pícaro espanhol, um tipo de malandro simpático e brincalhão, que vive à margem da sociedade, sem nenhum vínculo, sempre à procura de novas aventuras.
No século XX, o próprio Mário de Andrade daria continuidade à tradição da malandragem com sua personagem irreverente Macunaíma, da obra homônima. Mais recentemente, Chico Buarque de Holanda resgata a tradição com a peça teatral Ópera do malandro.

Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.

Coerência / Coesão


Pode haver coerência sem coesãos

Sim, há textos que se organizam por justaposição ou com elipses e, mesmo assim, podem ser considerados textos por seus leitores/ouvintes, pois constituem uma unidade de sentido.
Um exemplo clássico de nossa música popular é a canção Águas de março, de Tom Jobim, que se constrói pela justaposição:

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o sol
[...]


Fonte: William Cereja e Thereza Cochar.